Reflexões sobre a vivência
Nas tramas desta vivência, diferentes fios conduziram as tecelãs até suas ancestralidades. Memórias de momentos felizes foram tecidos com tramas suaves e coloridas. Memórias de momentos difíceis foram tecidas em trama apertada, que fizeram ceder a urdidura. Memórias de momentos de dor fizeram com que alguns fios fossem tecidos com dificuldade.
No fluir das tramas, alguns fios foram atados a outro para seguir as tecituras. Outros fios foram cortados e o fluxo da vida seguiu com outra cor.
Para finalizar as tecituras, alguns fios foram trançados, trazendo para o tear a força do guerreiro. Alguns fios foram amarrados e os tapetes retirados do tear, encerrando este momento. Mas algumas tramas não foram retiradas dos teares, permanecendo como um objeto de contemplação.
“A força da tecelagem não cabe em descrição por palavras, precisa ser vivenciada, sentida na alma! Tecida fio a fio.”
A força dos materiais
Constatei que o embasamento teórico da materialidade e linguagem expressivas dos materiais usados no setting arteterapêutico foi o ponto estruturador da vivência proposta. A partir deste estudo foi possível selecionar os materiais mais apropriados para guiar a consigna.
Entretanto, comprovei com a prática que o conhecimento teórico não exclui e não se faz mais importante do que a experimentação vivencial. Somente com a experimentação do leque de materiais cabíveis de serem usados nesta proposta, foi possível selecionar os que conduziram nossas tramas de forma fluida.
A força dos fios e do tecer
Durante a vivência pude perceber a força dos fios e do tecer. Ao ver sua linha da vida sendo tramada e seu existir sendo materializado na palma de suas mãos, cada tecelã estabeleceu um diálogo próprio com os fios e seu tear. Cada trama trazia uma emoção, uma lembrança, um emaranhado de sentimentos que muitas vezes não puderam ser expressos por palavras.
A energia dos mitos
Encontrei nos estudos mitológicos os muitos contos, de diferentes origens, que traziam a mesma imagem arquetípica da tecelã e seus fios. A energia arquetípica dos mitos contidas em nosso inconsciente coletivo guiam nossa história, e sim, esta energia esteve presente em nossa roda de tecelãs, guiando-nos à nossa ancestralidade.
A música que conduz
Percebi que a música fala por si. As melodias e letras conduziram cada fio ao seu destino, sem teorias... simples assim.
O convite
Limitações normativas não permitiram que fosse possível aprofundar este estudo. Há muito ainda a ser exposto sobre o entrelace da Arteterapia com a tecelagem e a mitologia, para estabelecer uma conexão com a ancestralidade.
Sugiro que, para entender a força dos fios e da tecelagem, se faça um tear de papel e se aventure. Teça livremente! Só tecendo, podemos entender a força de tecer!
“Não sabemos se o pássaro tecelão contempla uma imagem interna ao seguir um modelo imemorial e hereditário na construção de seu ninho; mas, pelo que sabemos da experiência, nenhum pássaro tecelão inventou seu ninho. É como se a imagem da construção do ninho tivesse nascido com o pássaro.”
— C. G. Jung