Artigo 05 · Arquétipos

Mitos & Tecelagem: O Arquétipo da Tecelã

Decifrar um mito é, pois, decifrar-se.

“Decifrar um mito é, pois, decifrar-se.”

— Brandão

Os mitos habitam o imaginário da humanidade desde o início dos tempos. São narrativas fantásticas que fazem uso de linguagem simbólica para explicar a origem do mundo e tudo aquilo que nele existe ou como passou a existir.

Os arquétipos no inconsciente coletivo

No inconsciente coletivo encontramos os arquétipos: padrões coletivos de imagens, comportamento e símbolos. Os arquétipos formam uma matriz comum à toda humanidade. Os mais caracterizados são: Grande Mãe, Pai, Persona, Sombra, Anima, Animus, Herói e Si-Mesmo (Self).

A “fantasia criativa desenterra a mente primitiva com as suas imagens encontradas nas mitologias de todas as épocas e de todos os povos. A totalidade destas imagens constitui o inconsciente coletivo, uma herança potencialmente presente em todos os indivíduos.” (JUNG, 1967).

O arquétipo da Grande Mãe: a aranha, a tecelã

Para efeito deste estudo, direcionamos nosso olhar para o arquétipo da grande mãe: a aranha, a tecelã. A aranha é a fiandeira do destino do universo, que tem o poder de criar de dentro de si sua própria teia. A aranha tece fios, tece sonhos, tece novas realidades, tece caminhos, tece vidas!

A tecelã no imaginário de diversos povos

Em um mágico passeio pela nossa mitologia e literatura, podemos acompanhar a imagem arquetípica da tecelã presente no imaginário coletivo de diversos povos, desde a antiguidade até os dias de hoje:

  • As Moiras — senhoras do tempo e do destino, que tecem o fio da vida e decidem quando cortá-lo.
  • O Fio de Ariadne — a tecelã que guia, que aponta o caminho.
  • O Tear de Penélope — a tecelã que tece sua vida e redireciona seu destino, escolhendo tecer ou destecer seus fios.
  • Arachne & Atenas — o desafio entre mortal e deusa na arte do tecer.
  • Ix Chel — deusa tecelã da mitologia Maia.
  • Anansi — a aranha contadora de histórias da mitologia africana.
  • A Moça Tecelã — de Marina Colasanti, na literatura contemporânea.
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“Saber sobre os mitos é extremamente fecundo para Arteterapia, por ser uma pintura da alma, onde estão as alegrias, os sofrimentos, as passagens dos movimentos e as transgressões que ocorrem no processo de individuação.”

— Diniz, 2014

A tecelagem aparece como um símbolo recorrente da criação, tanto do universo como da vida humana. O próprio Cosmos, segundo Eliade, é concebido como um tecido, como uma enorme rede. “No Cosmos, como na vida humana, tudo está ligado através de uma textura invisível.”