“Decifrar um mito é, pois, decifrar-se.”
— Brandão
Os mitos habitam o imaginário da humanidade desde o início dos tempos. São narrativas fantásticas que fazem uso de linguagem simbólica para explicar a origem do mundo e tudo aquilo que nele existe ou como passou a existir.
Os arquétipos no inconsciente coletivo
No inconsciente coletivo encontramos os arquétipos: padrões coletivos de imagens, comportamento e símbolos. Os arquétipos formam uma matriz comum à toda humanidade. Os mais caracterizados são: Grande Mãe, Pai, Persona, Sombra, Anima, Animus, Herói e Si-Mesmo (Self).
A “fantasia criativa desenterra a mente primitiva com as suas imagens encontradas nas mitologias de todas as épocas e de todos os povos. A totalidade destas imagens constitui o inconsciente coletivo, uma herança potencialmente presente em todos os indivíduos.” (JUNG, 1967).
O arquétipo da Grande Mãe: a aranha, a tecelã
Para efeito deste estudo, direcionamos nosso olhar para o arquétipo da grande mãe: a aranha, a tecelã. A aranha é a fiandeira do destino do universo, que tem o poder de criar de dentro de si sua própria teia. A aranha tece fios, tece sonhos, tece novas realidades, tece caminhos, tece vidas!
A tecelã no imaginário de diversos povos
Em um mágico passeio pela nossa mitologia e literatura, podemos acompanhar a imagem arquetípica da tecelã presente no imaginário coletivo de diversos povos, desde a antiguidade até os dias de hoje:
- As Moiras — senhoras do tempo e do destino, que tecem o fio da vida e decidem quando cortá-lo.
- O Fio de Ariadne — a tecelã que guia, que aponta o caminho.
- O Tear de Penélope — a tecelã que tece sua vida e redireciona seu destino, escolhendo tecer ou destecer seus fios.
- Arachne & Atenas — o desafio entre mortal e deusa na arte do tecer.
- Ix Chel — deusa tecelã da mitologia Maia.
- Anansi — a aranha contadora de histórias da mitologia africana.
- A Moça Tecelã — de Marina Colasanti, na literatura contemporânea.
“Saber sobre os mitos é extremamente fecundo para Arteterapia, por ser uma pintura da alma, onde estão as alegrias, os sofrimentos, as passagens dos movimentos e as transgressões que ocorrem no processo de individuação.”
— Diniz, 2014
A tecelagem aparece como um símbolo recorrente da criação, tanto do universo como da vida humana. O próprio Cosmos, segundo Eliade, é concebido como um tecido, como uma enorme rede. “No Cosmos, como na vida humana, tudo está ligado através de uma textura invisível.”