A Arteterapia, a mitologia e a tecelagem são fios tramados no tapete da nossa existência. Saberes que se entrelaçam e que fazem parte do nosso inconsciente coletivo. Quando um arteterapeuta os tece juntos, eles se complementam e compõem um diálogo potente para acessar conteúdos do inconsciente com o objetivo de conduzir o sujeito a seu autoconhecimento, sua individuação.
A ancestralidade da arte e do tecer
Embora a história aponte para o surgimento da Arteterapia no contexto de atendimento após a segunda guerra mundial, ela já existia muito antes disso. Ao desenhar os bisões na caverna, o homem já vivia a formação de sua consciência.
Quanto ao ato de tecer, “a origem do ato de tecer perde-se na noite dos tempos da memória humana, surgiu da necessidade de cobrir e proteger o corpo das intempéries.” O homem pré-histórico observava a natureza, aprendia com ela e nela encontrava todo o material necessário para sua sobrevivência. Acredita-se que o homem observou teias de aranha e ninhos de pássaros para, então, entender que podia entrelaçar fios e fibras para criar cestos, roupas, cobertores e itens necessários para evoluir.
Os mitos como ponte
Os mitos fazem parte de antigas tradições humanas. Eles retomam nosso inconsciente coletivo. São narrativas fantásticas que fazem uso de linguagem simbólica para explicar a origem do mundo e tudo aquilo que nele existe ou como passou a existir.
“O mito expressa o mundo e a realidade humana, mas cuja essência é efetivamente uma representação coletiva, que chegou até nós através de várias gerações.”
— Brandão, 2009
A partir dos estudos com seus pacientes e com sua própria experiência, Jung reconheceu duas camadas do inconsciente: o inconsciente pessoal e o inconsciente coletivo. O agrupamento de imagens mitológicas de todos os tempos, junto com as imagens pessoais, formam o inconsciente coletivo. Todos já nascemos com ele — “camada mais profunda do inconsciente” constituída por toda a herança de nossos ancestrais.
O inconsciente coletivo revela-se através do mito. E é através dos mitos que podemos acessar a sabedoria ancestral que habita em cada um de nós, guiando nossos processos de autoconhecimento e individuação na prática arteterapêutica.