Artigo 02 · Arteterapia

Tecendo a História da Arteterapia

Das cavernas pré-históricas ao consultório: como a arte sempre foi caminho de expressão e cuidado.

“Há pessoas que nada vêem ou escutam dentro de si, mas suas mãos são capazes de dar expressão concreta aos conteúdos do inconsciente.”

— Carl Gustav Jung

A história da Arteterapia começou a ser tecida no período após a segunda guerra mundial, como possibilidade de tratamento de pacientes poli-traumatizados que não respondiam bem aos modelos convencionais de tratamento. Surgiram novas formas de atendimento, denominadas “terapias expressivas”. Dentre elas, estava a Arteterapia.

A arte antes do nome

Mas a arte faz parte da existência humana desde muito antes. Desde a pré-história, nossos ancestrais expressavam seus símbolos, histórias e crenças usando os tetos e paredes das cavernas como tela. O homem já desenhava muito antes de escrever, e a arte sempre foi uma função estruturante da consciência.

Ao desenhar os bisões na caverna, por exemplo, o homem já vivia a formação de sua consciência. As mãos que marcam as cavernas pré-históricas já podem ser compreendidas como uma vivência de identidade.

Jung e o início da Arteterapia em consultório

O encontro da Arteterapia com a psicologia analítica começou a ser tecido no início do século XX com Carl Gustav Jung, o primeiro a utilizar a expressão artística em consultório. Para Jung, na arte acontecia a simbolização do inconsciente. Em seus atendimentos, pedia a seus atendidos que fizessem desenhos livres de imagens de sentimentos, sonhos, de situações conflituosas entre outras coisas, priorizando a expressão artística e a verbal como parte do processo de cuidado.

Nomes que teceram a Arteterapia pelo mundo

Grandes nomes teceram a Arteterapia pelo mundo. Em 1945, Adrian Hill utilizou pela primeira vez o termo Arteterapia no livro Art versus Illness (Arte contra enfermidade). A educadora norte-americana Margaret Naumburg é considerada uma das fundadoras da Arteterapia nos Estados Unidos, junto com Edith Kramer e Marie Petrie.

Nise da Silveira e a Arteterapia no Brasil

No Brasil, ressaltamos o trabalho pioneiro de Nise da Silveira, que fundou a Seção de Terapêutica Ocupacional, em 1946, no Centro Psiquiátrico Engenho de Dentro. Esta psiquiatra tinha sua compreensão baseada na Psicologia Analítica de Jung e fez uso da pintura como meio de reintegração social de pacientes com esquizofrenia.

A Arteterapia no Espírito Santo

No Espírito Santo, a professora Glícia Manso plantou as primeiras sementes da Arteterapia em 2001 e, no mesmo ano, fundou a AARTES — Associação de Arteterapia do Espírito Santo. Seu trabalho foi fundamental para a formação de arteterapeutas e para a consolidação da Arteterapia como prática terapêutica no estado.

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A Arteterapia, portanto, não nasceu em um único momento ou lugar. Ela foi sendo tecida ao longo da história humana, fio a fio, gesto a gesto, sempre que mãos humanas buscaram expressar o que palavras não alcançam.