“Sinto a textura de cada fio da vida [...] No fluxo da vida / Serei, eu agora / Em cada fio / Em cada linha / O próprio tecido”
— Lina Passos
A Arteterapia, a mitologia e a tecelagem são fios tramados no tapete da nossa história. São saberes que se entrelaçam e que fazem parte do nosso inconsciente coletivo. Podem estes saberes estabelecer uma conexão com a nossa ancestralidade?
Com o objetivo de entender a possibilidade desta conexão, neste artigo será apresentada uma breve descrição de como estes saberes podem ser tecidos para embasar uma vivência arteterapêutica com a consigna: conexão com a ancestralidade.
Os três fios deste estudo
Por meio de pesquisa bibliográfica, este estudo foi tecido com três fios principais. Cada um deles representa uma dimensão essencial para compreender como a Arteterapia pode conduzir uma conexão profunda com nossa herança ancestral.
O primeiro fio trouxe a essência da Arteterapia, o papel do arteterapeuta nos atendimentos, a importância do setting terapêutico e fundamentalmente o olhar cuidadoso para os materiais e suas linguagens expressivas.
O segundo fio foi a ancestralidade da tecelagem. Entendemos como a tecelagem surgiu, como ela está conectada com a história da própria humanidade. “A origem do ato de tecer perde-se na noite dos tempos da memória humana, surgiu da necessidade de cobrir e proteger o corpo das intempéries.” (PHILIPPINI, 2022, p. 60).
O terceiro fio trouxe para o tear os contos e mitos. Para melhor entender a força ancestral dos mitos, buscamos um conciso entendimento da teoria do inconsciente coletivo e dos arquétipos.
Os fios deste estudo foram tramados na urdidura da Arteterapia, e o tapete tecido foi uma vivência que conduziu participantes a uma conexão com sua ancestralidade. Ao final deste percurso, compartilharemos a descrição desta vivência, assim como algumas percepções sobre a força dos fios e da ancestralidade.
“Tecer era tudo o que fazia. / Tecer era tudo o que queria fazer.”
— Marina Colasanti