Iniciaremos o tecer desta vivência detalhando os materiais que foram usados. Cada um deles foi cuidadosamente escolhido com foco em sua materialidade e linguagem expressiva, visto que estes materiais irão acompanhar e conduzir o participante em cada ponto de sua jornada.
“Acreditamos que é de fundamental importância que o arteterapeuta conheça as qualidades terapêuticas dos materiais e sua linguagem subjetiva, pois estes são as ferramentas utilizadas por ele durante o processo criativo que levará à criação das imagens, à criação da forma e à materialização simbólica.”
— Carrano e Requião, 2022
Os materiais da vivência
Cesto de palha
Fibras naturais e o trançar delas fazem parte do nosso inconsciente coletivo. Foi através delas que tecemos nossos primeiros cestos de pescar ou possivelmente cerzimos nossas primeiras vestimentas. A palha e o próprio cesto trançado conduzem os participantes a uma viagem ao passado e à sua ancestralidade.
Agulha de madeira
A agulha abre seu próprio caminho, vence resistências e conduz o fio. A madeira faz parte da história da humanidade desde o princípio dos tempos. É um material forte, acolhedor; remete a conforto, proteção e segurança.
Fios de malha
Para melhor entender a conexão com os fios, foram testados vários tipos. Os fios com pouca estrutura causavam incômodo ao tecer, pois não se mantinham firmes na urdidura. O fio perfeito deveria ser o fio de Ariadne: seguro, firme, um condutor para chegarmos até a ancestralidade e retornarmos com segurança. Os fios de malha são flexíveis, mas com boa espessura e estrutura, sem deixarem de ser coloridos, acolhedores e de fácil manipulação no tear.
Tear de papel
Papel: suporte para escrever nossas histórias, expressar nossas emoções através de desenhos e pinturas. Um tear de papel reciclado de tampas de caixas. Simples, ressignificado, personalizado com um trecho da poesia de Colasanti. Este objeto deixa de ser um simples tear, para ser um símbolo de afeto e cuidado da facilitadora, aproximando o tecer da simplicidade da vida.
Contos e poemas
“As histórias são importantes porque ensinam, educam, ampliam o conhecimento, iluminam, provocam reflexões pessoais e coletivas, despertam sentimentos adormecidos.”
— Farias, apud Philippini, 2022
No decorrer do tecer, trechos de contos e poesias estavam cuidadosamente inseridos no material: no tear, no envelope que continha as agulhas e na própria agulha. Ao final da vivência, foi lido o conto “Fiandeiras” de Célia Gago. Também considero como pequenos contos ou poemas, as letras das músicas que embalaram a nossa tecelagem.